Caríssimas muralistas,
a presença de vocês é motivo de muita alegria para todos nós que visitamos com frequência este site. As questões levantadas, as provocações feitas, são motivo de enriquecimento do nosso debate. Parabéns!
Fala-se muito da Teologia da Libertação como se fosse algo ofensivo ou anti-cristã. Não sabem os combatentes que ela apoia-se na mais genuina pregação de Cristo. Basta um olhar atento à prática de Jesus Nazareno para se identificar nela os grandes princípios da TDL. Talvez os longos séculos que nos separam do Mestre tenham nos feito relativizar o caráter transformador e libertador do seu projeto e da sua causa; quem sabe tenhamos esquecido as reais causas da sua condenação à morte; possivelmente a romantização da pessoa e mensagem de Jesus tenham contagiado de tal forma as mentes e os corações dos cristãos que estes tenham perdido a sua condição de profetas. Certamente uma experiência adocicada de fé torna-se mais atraente e convincente, uma vez que multidões de doentes da alma reclamam ao menos um emplastro para suas perturbações psico-afetivas-emocionais. É nisso que tem se tornado, em muitos casos, a \"fé\".
Afasta-se perigosamente do verdadeiro espírito cristão que quer dar significado à existência do ser em sua totalidade - um ser político, econômico, cultural, social, etc.
Um desafio a ser enfrentado por quem descobriu a verdadeira essência do cristianismo.
Ah, ia esquecendo...
Jesus foi o mestre da libertação! E, porque não dizer, TEÓLOGO.
Peço a vocês, irmãos e irmãs, me ajudem a compreender mais um pouco essas frases, pois elas ainda me incomodam bastante. Não me sinto mais a vontade para expor minha opinião. Não quero ser uma alma tagarela que não consegue ouvir o que Deus tem a me dizer, mas também não quero ser omissa e também não quero, simplesmente, mostrar que tenho razão, pois ainda não sei se tenho razão em tudo que digo, como já disse, estou aqui para aprender.
Deus nos ilumine!
Faz uma semana que não acessava o site, confesso que estou feliz com tantas mensagens.
Passei esse tempo distante por uma inquietação que se deu em minha alma proveniente de duas frases que li, uma estava ao final de uma mensagem exposta em um mural, dizia: \" Nesses dias de palavras muitas prefiramos a beleza dos siléncios poucos. E a outra li em um livro da POM(Pontifícias Obras Missionárias), era um questionamento, mais ou menos assim: \" Estamos só discutindo pra ver quem tem razão ou queremos levar a todos a alegria do Evangelho?\".
Até que enfim estamos conseguindo o nosso intento: fazer desse espaço uma oportunidade de debates e diálogo produtivo a partir de opiniões diversas.
Bem vinda amiga Anabella!
Sugiro que você conheça um pouco mais a Teologia da Libertação para compreender que é impossível qualquer reflexão racional que não leve em consideração os aspectos político da sociedade em que se quer lançar as sementes do verbo. É preciso que se tenha a suficiente honestidade intelectual para se ter a consciência de que é impossível um ser social que não seja político.
Melhoranças!
Não concordo com Prometeu Acorrentado no que se refere à Teologia da Libertação. Não sou muito simpática a essa vertente teológica. Acho muito politizada. Nesse ponto, tenho que concordar com Antonieta bardeau. Quanto ao mais, acho correta a posição defendida por Prometeu.
Agora me respondam: por que vcs usam esses nomes?
Seja bem vinda, minha cara Antonieta Bardeau. Sinto em seus comentários um “cheiro de desconfiança” em relação a nós, inquietos. Não se preocupe. Aqui, no mural, somos todos homens e mulheres de fé, apesar de nossas opiniões pouco convencionais - o que não é nenhum mal, convenhamos. A diversidade torna nosso diálogo ainda mais proveitoso e interessante. É bom se acostumar aos estilos variados do grupo - há textos mais prolixos (é o meu caso), outros mais comedidos (Amigo de Deus), uns filosóficos (Sinézio), outros “pé no chão” (Maria Marta e Chiquinho de Adelaide), todos, porém, marcados pela equilíbrio e pela firme disposição de contribuir para o crescimento da Igreja de Cristo. Embora eu mesmo seja um dos “novos”, convido-a a participar conosco dessa empreitada que tão vivamente se impõe aos nossos espíritos inquietos – refletir sobre nosso papel na Igreja e na sociedade.
Contudo, minha cara, Antonieta (nome bem sugestivo) permita-me tecer alguns comentários sobre seu recado. Não é uma crítica, que fique bem claro. Primeiro, no que tange à Teologia da Libertação (TdL), vale lembrar que a Cúria de Roma reconheceu o valor da TdL para a Igreja na América Latina. Em abril de 1986, o Papa João Paulo II enviou Carta à CNBB onde expressamente afirma que «a teologia da libertação é não só oportuna mais útil e necessária. Ela deve constituir uma nova etapa em estreita conexão com as anteriores – daquela reflexão teológica iniciada com a Tradição apostólica e continuada com os grandes Padres e Doutores, com o Magistério ordinário e extraordinário e, na época mais recente, com o rico patrimônio da Doutrina Social da Igreja, expressa em documentos que vão da Rerum Novarum à Laborem Exercens». Portanto, ao contrário do que muitos dizem, não se trata de uma teologia herética ou “condenada” pela Igreja Católica Talvez ela não goze da simpatia oficial, mas isso é outra história.
Quanto ao conteúdo dos nossos discursos, penso que falo por todos quando afirmo que não somos contrários à Igreja. Não duvide de nossa fidelidade e obediência, amiga Antonieta. Nosso objetivo não é refutar as verdades fundantes da fé cristã, mas anunciar com coragem que é possível fazer a experiência do “terceiro homem”, como afirma o velho Melhorança, sem perder de vista os valores centrais do Evangelho de Jesus. Criticamos algumas práticas que, infelizmente, também se manifestam no interior da Instituição, e isso causa incômodo em algumas pessoas.
Não me sinto de forma nenhuma “desligado” da Igreja, e acredito que esse sentimento é geral entre os Inquietos. Compreendo, porém, a exata medida do que é ser obediente. Obediência não é omissão, não é conivência, não é silêncio servil. Obediência não é simplesmente concordar por não ter o que dizer.
Penso que a obediência está para a fé como a fidelidade está para o amor, e honestamente não acredito que entre os Inquietos haja alguém que não esteja empenhado em ser fiel ao mandato que nos foi conferido pelo batismo.
É preciso ter em conta que a obediência a Cristo não nos desobriga de denunciar o erro, a malícia e a perversão que há entre muitos cristãos. Antes, nos impõe como dever de fé fazê-lo para o bem da própria Igreja, tal como comenda o Cân. 213, § 3º, do Código de Direito Canônico, cujo texto transcrevo: “De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, [os fiéis leigos] têm o direito e, às vezes, até o dever de manifestar aos Pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os Pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, dêem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis”.
Portanto, cara Antonieta, por favor, não nos tenha na conta de infiéis ou inimigos da Igreja Católica, porque honestamente não o somos.
Continue participando do nosso diálogo, enviando seus comentários, contribuindo para o engrandecimento da Igreja que todos nós amamos.
Seja sempre bem vinda, irmazinha!
Amigo Pé (dentro/fora),
Tens razão quando falas da beleza do relato da criação no livro do gênesis. Trata-se de uma das tantas teogonias presentes nas antigas civilizações. É óbvio que não podemos fazer uma leitura científica da relato bíblico, no entanto, ficamos admirados com a busca empreendida pelos líderes do povo exilado para dar uma explicação para a situação vivido pelos hebreus.
Quanto a compatibilidade que você defende entre a fé e a razão, estou contigo. Inclusive a antropologia teológica atual tem feito uma reflexão acerca da história da reveleção na perspectiva evolutiva. Vale a pena conferir, se você tiver oportunidade.
Melhoranças!
Cara Antonieta Bardeau,
Seja bem vinda ao nosso site!
Pelo que entendi, você tem acompanhado as nossas participações e hoje não se conteve e resolveu interagir. Seja bem vinda!
Com certeza, como você, nós também amamos a igreja. Porém surgiu por parte de alguém que acessou este site, assim como nós, um questionamento sobre o jeito de ser cristão hoje em dia. Será que os que se \"dizem cristão\" têm sido seguindo o modelo de Jesus? Falo isso me referindo a todas as classes e meios. E por que não, dentro da própria igreja? Não que eu seja contra a igreja, mas contra a muitos que estão na igreja (leigos e padres) que muitas vezes pregam aquilo que não acreditam, pregam aquilo que não vivem. quando questionamos sobre isso não é porque não acreditamos na igreja, mas sim porque a amamos demais e queremos que ela volte ao \"primeiro amor\": Jesus Cristo. Quantos estão na igreja e não parecem nem um pouco com Jesus. Quem somos hoje? Judeus, samaritanos, mestres da lei, ... nós que somos a igreja, quem somos?
Surgiu neste site uma válvula de escape para colocar pra fora as nossas dúvidas, as nossas angustias, as nossas inquietações.
Continue particpando dessas discursões, tenho certeza que aprenderemos muito com você.
Um abraço fraterno!
Maria Marta Pé no Chão.
Olá, E aí, inquietos?
Hoje amanhecei com desejo de escrever sobre os primeiros capítulos da Bíblia, sobre fé e razão, e então compus o texto abaixo. Espero que goste. Mande-me sua opinião
A CRIAÇÃO
Primeiro livro da Bíblia, o Gênesis que, ao pé da letra, quer dizer nascimento, origem - foi escrito pelos sacerdotes judeus no tempo do exílio da Babilônia, aproximadamente entre os anos 586 a 538 a.C. Nele, procura-se descrever a origem do mundo e da humanidade (caps. 1 a 11) bem como a origem do Povo de Deus (caps. 12 a 50), sob o prisma da fé, exaltando as qualidades do Deus vivo e Criador, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó.
De logo se afirme que a Bíblia, de um modo geral, e o Gênesis, em particular, não se preocupam em oferecer ao fiéis verdades científicas, mas o modo como se vai chegar ao céu (Santo Agostinho).
O Gênesis não é um livro para ser lido conforme a letra do texto. Há uma simbologia em sua linguagem, por trás de cada estória, em cada página. A mulher, por exemplo, não surgiu da costela do marido e jamais existiu uma serpente desinibida como a que habitava o paraíso nos tempos de Adão e Eva.
No fundo, os capítulos introdutórios da Bíblia funcionam como uma ode, uma composição poética, feita para exaltar a magnificência de Deus e reforçar a crença do povo nos tempos difíceis do exílio.
Sabemos hoje que tradições muito mais antigas, provenientes de povos vizinhos, como os mesopotâmicos, inspiraram seguramente algumas seções do livro do Gênesis. Porém, nem isso é capaz de desmerecer a obra dos sacerdotes. A riqueza do texto está justamente no esforço dos antigos em procurar desvendar aquilo que ainda hoje intriga os cientistas a origem e o porquê do Universo, quem somos, o sentido último das coisas etc -, apresentando uma explicação religiosa para estas questões.
Embora ciência e religião não costumem combinar suas respostas sobre a obra dos seis dias, acredito que não há nenhuma inconsistência em admitir, a despeito dos avanços tecnológicos, a idéia de um Universo criado segundo um plano refletido de Deus.
De fato, o erro seria defender a tese segundo a qual apenas a ciência, de um lado, ou somente a religião, do outro, possuem os instrumentos para conhecer todas as respostas aos mistérios do Universo, ou resolver todos os problemas da humanidade, ou satisfazer todas as necessidades legítimas da inteligência humana. Não. A inteligência não prescinde da sensibilidade e da mística. Ou seja, ela não é somente razão. Do mesmo modo que a fé não pode se sustentar apenas na emoção. Tais visões, por serem parciais, servem apenas para acentuar os desvios do fundamentalismo religioso ou do cientificismo acadêmico. Não se pode pretender estender os métodos científicos ou religiosos sem exceção a todos os domínios da vida humana.
Não tenciono entrar nessa discussão, mesmo porque ela é improdutiva. A Igreja reconhece a importância da ciência (razão) para o desenvolvimento do gênero humano. Vide, por exemplo, a Carta Encíclica do Sumo Pontífice João Paulo II, sobre as relações entre Fé e Razão. Segundo as palavras do Santo Papa, a fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio.
Devemos agir como católicos, não como seres ingênuos e imaturos. Como disse o Santo Papa, variados são os recursos que o homem possui para progredir no conhecimento da verdade, tornando assim cada vez mais humana a sua existência (Fides Et Ratio, nº 03). Precisamos, sim, dialogar com a modernidade, porém, certos de que temos o Espírito de Deus para nos guiar nessa conversa.
E este Espírito nos diz que, independentemente dos avanços tecnológicos, das teorias evolucionistas, dos satélites e naves espaciais, ao fim e ao cabo, Deus tudo fez e tudo pode.
Não importa como ou quanto tempo Ele levou para criar o céu e a terra com todo o seu exército, Deus é criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.
Tudo surgiu a partir de um chamado Dele, e pouco interessa aos fiéis se este chamado se assemelha ao que está descrito no livro do Gênesis ou ao modelo apresentado pela Cosmologia moderna. O Catecismo lembra que só Deus conhece Deus por inteiro (n° 152). Nossa linguagem está sempre aquém do Mistério.
A criação é dom de Deus e em face desta verdade qualquer argumento é inútil.
Portanto, embora os valores e hábitos contemporâneos nos impeçam de enxergar com ternura o mundo em volta, saibamos render louvores a Deus, a quem Jesus chama de Abba, papai, paizinho, pai querido, porque ele é misericordioso e sua bondade é sem fim. Cantemos com o salmista, Tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe (Sl 22, 10).
força e Coragem para todos.
Pé Dentro, Pé Fora.
Sinto um cheiro forte de Teologia da Libertação nas palavras de muitos de vocês. Nada contra essa tal teologia, mas, ao que me parece, pelo pouco que ouvi dizer, trata-se de um modo de refletir a fé condenado pelo papa. Espero que não esteja, julgando mal - corrijam-me, por favor. Talvez eu esteja desatualizada e na contra mão do tempo, mas quero dizer que me preocupo muito com esses discursos de vocês, até parece que vocês estão contra a igreja. Cristo deixou a igreja para orientar os nossos passos e as nossas vidas. As tantas inseguranças do mundo de hoje já perturbam demais o ser humano. É preciso acreditar em algo que realmente ensine a verdade, eu acredito na igreja. Vocês não?
Aguardo respostas!